quinta-feira, outubro 05, 2006

Eleições no Brasil, um caso interessante

Em termos percentuais Lula da Silva quase venceu à primeira as eleições brasileiras. Contudo nada está decidido para a segunda volta.

O interesse na segunda volta destas eleições está em saber o impacto que este revés teve para Lula da Silva. Para além dos escândalos e da estratégia eleitoral aparentemente errada, Lula da Silva e a sua candidatura estão claramente na mó de baixo, enquanto que Geraldo Alckmin ao obter uma votação superior à esperada e impedir a vitória de Lula elevou a moral entre os seus apoiantes e quem sabe consiga por esse factor conquistar mesmo alguns votos entre os apoiantes dos restantes candidatos.

A campanha vai ser importante e Lula da Silva não pode continuar a estratégia de "errar o menos possível" na sua campanha, porque caso o faça muito dificilmente ganhará como a experiência recente demonstrou.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Compreender o terrorismo (II)

No post anterior esqueci-me de referir uma outra questão bastante importante.

As guerras no Afeganistão e no Iraque são frequentemente usadas como motivos para a revolta do mundo muçulmano relativamente aos Estados Unidos e ao Ocidente.

Alguém duvida que mesmo que não tivessem existido estas guerras, outros pretextos seriam arranjados para promover o radicalismo nos países muçulmanos?

Basta olhar para as reacções a uns desenhos publicados num obscuro jornal dinamarquês ou às palavras do papa retiradas completamente do contexto de um discurso magnífico sobre a relação da racionalidade com a fé (que vem de encontro à minha própria visão da fé).

É que quando se pretende mostrar que uma estratégia de combate ao terrorismo está errada, não basta dizer que o terrorismo está a aumentar. É preciso que se diga se os cenários alternativos seriam melhores no curto, médio e longo prazos!

Compreender o terrorismo

Andam por aí muitos defensores da tese de que é necessário compreender as causas do terrorismo, negociar com essas pessoas que praticam terrorismo, dialogar com eles.

Tipicamente as guerras do Afeganistão e sobretudo do Iraque são obras do Grande Satã que invadiram dois países soberanos o que só serviu para aumentar os ódios dos muçulmanos relativamente ao Ocidente em geral e aos Estados Unidos em particular. Isso só serviu para aumentar o anti-americanismo e por isso provocar o aumento do terrorismo. Todos os ataques terroristas que acontecem são em última análise dos Estados Unidos por provocarem estes ódios e a disseminação do terrorismo. São até compreensíveis perante estes ataques hediondos de um estado terrorista como são os Estados Unidos.

Quando estas pessoas são confrontadas com o 11 de Setembro, sendo que este acontecimento aconteceu em 2001 e por isso antes das guerras do Afeganistão e do Iraque, torna-se muito mais fácil compreender o seu verdadeiro pensamento.

É que os Estados Unidos andam a explorar os desgraçadinhos dos muçulmanos que vivem nos países árabes através das empresas petrolíferas que sugam todas as riquezas naturais desses países. Isto corresponde a uma visão da realidade que qualquer comunista aprecia: os exploradores de um lado (os Estados Unidos, naturalmente) e os explorados do outro (os desgraçadinhos dos muçulmanos).

Pena que a realidade raras vezes caiba nestes esquemas pré-fabricados. De facto para serem coerentes com a sua análise, estas pessoas deviam defender um embargo comercial dos Estados Unidos aos países muçulmanos. Melhor ainda, deviam defender um embargo comercial dos países ocidentais aos países muçulmanos. O melhor mesmo seria construir um muro entre o ocidente e os países muçulmanos. Assim eles ficavam protegidos do nosso capitalismo selvagem. Curiosamente estas pessoas são as mesmas que criticam o embargo dos Estados Unidos a Cuba, justificando a situação difícil que Cuba vive precisamente devido a esse embargo.

O ataque do 11 de Setembro teria por isso constituído uma reacção legítima ao capitalismo selvagem dos Estados Unidos tendo sido por isso escolhidos símbolos desse mesmo capitalismo.

Então e que significado têm os ataques de Madrid e Londres em que foram atacadas as pessoas que iam para os seus empregos?

Não há diálogo possível com assassinos sanguinários que querem maximizar o número de vítimas civis nos seus ataques.

Cartoons de Maomé (III)

Vários meses após o meu último post (sem contar com o post de auto-comiseração que acabei de publicar), verifico que o blogue da Marquiteira mantém-se na crista da actualidade.

Meses passaram desde os ataques inaceitáveis à nossa liberdade de ocidentais. E apenas posso chegar a uma conclusão: estamos cada vez piores!

E estamos cada vez piores não pelas pressões que continuamos a sofrer do mundo islâmico contagiado pelos radicalismos aí existentes, mas sim pelo facto de cedermos a essas pressões. E pior ainda do que cedermos às pressões é assistir a uma corrente de pensamento que ganha cada vez mais força que desculpabiliza o islão pelo que está a acontecer e apela ao nosso bom-senso para nos moderarmos e não ofendermos o islão.

O episódio mais recente é sem dúvida a ópera Idomeneo de Mozart cancelada na Alemanha por mostrar a decapitação de Buda, Jesus Cristo e Maomé. Repare-se que ninguém se preocupou com Buda nem Jesus Cristo! Mas todos se preocuparam com Maomé. Porque será?

Pelos vistos atirar aviões contra arranha-céus, colocar bombas em comboios, sítios turísticos e metropolitanos, bem como destruir embaixadas e sedes da ONU até dá resultado!

O drama de um blogger esporádico

Se Shakespeare tivesse vivido na era da informação e dos blogues, certamente que a sua questão fundamental seria ligeiramente diferente:

"Postar ou não postar, eis a questão."

Postar é fácil, mas postar com qualidade é difícil. Como manter um elevado nível de interesse nos blogues? Principalmente se se tratar de um blogue individual feito por alguém que nem sempre tem paciência nem tempo?

O que fazer com um blogue amorfo, com pouca substância, sem fio condutor? Será que uns posts avulsos em alturas de procrastinação justificam a manutenção de um blogue designado com um nome de grande peso como é a Marquiteira (pelo menos para mim e para os meus conterrâneos)?

As respostas a estas questões não são fáceis, assim como não era fácil a questão que o Shakespeare colocava. No entanto, o blogue da Marquiteira continua a percorrer o seu tortuoso caminho que lhe permite uma sobrevivência bem duvidosa, aproximando-se mais do estado de coma do que de uma existência viva.

O blogue da Marquiteira não espera fidelizar leitores. O blogue da Marquiteira não espera ser reconhecido. O blogue da Marquiteira não espera ser referido por jornais nem por outros blogues. O blogue da Marquiteira sabe que as visitas que obtiver serão esporádicas e acidentais. Mas o blogue da Marquiteira resiste. O blogue da Marquiteira não se importa. O blogue da Marquiteira vai continuar!